Destaque

Seja bem vindo! Seja bem vinda!

Esse blog tem a intenção de ser uma janela para quem desejar conhecer a acompanhar o exercício de minha missão.

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Aqui a família, os amigos, os irmãos e irmãs de comunidade, os alunos e pessoas queridas com as quais tenho sempre a possibilidade de encontrar-me e reencontrar nos caminhos da vida, podem comentar, dar sugestões e contribuir para que minha vida continue sempre “itinerante”.

O que é itinerante?

“Itinerante” é aquele “que muda de lugar onde exerce a sua atividade” ou aquilo “que é exercido com alteração frequente de local” (cf. Dicionário Aurélio online). Essa palavra define minha vida desde que dei “sim” ao projeto missionário do Senhor na Comunidade Adorai em 1999. 

“Indo, discipulai” disse o Jesus Ressurreto aos onze discípulos na montanha da Galiléia. “Indo”, “sempre indo”, “enquanto vão”, “por onde forem” fazei discípulos. Uma Igreja “em saída”, uma Igreja “desinstalada” e “frágil” é a característica do movimento iniciado por aqueles onze adoradores, que tem no mandato missionário do Senhor sua força e fonte de irradiação. 

“Itinerante” é a palavra que caracteriza a vida de minha família:”originada” no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, se espalhou pelo país. “Itinerante” é a vida de meus pais, entre Santa Catarina e Minas Gerais, sempre dando aulas, mudando de casa de dois em dois anos. Lembro-me com 16 anos, em 1999, quando aqueles que participavam da Comunidade Adorai  decidiram abrir mão de seus projetos pessoais e juntaram todos seus bens na casa da Vargem, em Varginha-MG. A partir daí a “itinerancia” cultural, virou vocação e opção.

“Itinerante” é a dinâmica da Comunidade Adorai, do centro para a periferia de Varginha. “Itinerante” é o movimento dos missionários visitando casas, grupos de oração, movimentos e pastorais, formando núcleos de adoradores nos bairros, assumindo em cada paróquia um novo projeto de pastoral.

“Itinerante” é o movimento meu e de minha esposa Juliana para Juiz de Fora-MG para estudar teologia em 2006. A itinerancia foi o contexto de minha graduação em Teologia (2006-2010),  e também de meu mestrado na Puc-Rio (2012-2015). 

“Itinerante” é o movimento da família espiritual que formamos naquela cidade deslocando-se pelas comunidades da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora (2006-2009) e São Geraldo (2009-2016) realizando “seminários de adoração” ou visitas de “porta-a-porta”, aos enfermos, aos casais, aos jovens…

“Itinerante” é a dinâmica constante das visitas às comunidades da Paróquia São Martinho de Lima com o pe. Leonardo Loures e a equipe missionária. “Indo”, “itinerante” é dinâmica constante dos encontros nas Escolas Bíblicas das paróquia da Diocese de Óbidos.

Antes ser “itinerante” parecia um empecilio, uma incoerência, agora é a condição para uma verdadeira teologia em missão.

Davi Alves Maçaneiro

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Maria e José a caminho de Jerusalém – Sumié de Davi A. Maçaneiro  – Novena de Natal 2012

Assista a “PAIXÃO DE CRISTO NA CIDADE PRESÉPIO | Informes Pastorais 16 – #DiocesedeÓbidos_PA” no YouTube

Parabéns aos três grupos de teatro por enriquecer nossa cidade com arte e espiritualidade cristã! Parabéns juventude de Óbidos! 

O Senhor Ressuscitou!

Feliz páscoa!

“A fim de que os estudantes tenham esperança!”: Nota da CNBB sobre a reforma do ensino médio

NOTA DA CNBB SOBRE A “REFORMA DO ENSINO MÉDIO” – MP 746/16

“A fim de que os estudantes tenham esperança!”
(Papa Francisco, 14 de março de 2015)

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 22 e 23 de novembro de 2016, manifesta inquietação face a Medida Provisória 746/16 que trata da reforma do Ensino Médio, em tramitação no Congresso Nacional.

Segundo o poder executivo, a MP 746/16 é uma proposta para a superação das reconhecidas fragilidades do Ensino Médio brasileiro. Sabe-se que o modelo atual, não prepara os estudantes para os desafios da contemporaneidade. Assim, são louváveis iniciativas que busquem refletir, debater e aprimorar essa realidade.

Contudo, assim como outras propostas recentes, também essa sofre os limites de uma busca apressada de solução. Questão tão nobre quanto a Educação não pode se limitar à reforma do Ensino Médio. Antes, requer amplo debate com a sociedade organizada, particularmente com o mundo da educação. É a melhor forma de legitimação para medidas tão fundamentais.

Toda a vez que um processo dessa grandeza ignora a sociedade civil como interlocutora, ele se desqualifica. É inadequado e abusivo que esse assunto seja tratado através de uma Medida Provisória.

A educação deve formar integralmente o ser humano. O foco das escolas não pode estar apenas em um saber tecnológico e instrumental. Há que se contemplar igualmente as dimensões ética, estética, religiosa, política e social. A escola é um dos ambientes educativos no qual se cresce e se aprende a viver. Ela não amplia apenas a dimensão intelectual, mas todas as dimensões do ser humano, na busca do sentido da vida. Afinal, que tipo de homem e de mulher essa Medida Provisória vislumbra?

Em um contexto de crise ética como o atual, é um contrassenso propor uma medida que intenta preparar para o mercado e não para a cidadania. Dizer que disciplinas como filosofia, sociologia, educação física, artes e música são opcionais na formação do ser humano é apostar em um modelo formativo tecnicista que favorece a lógica do mercado e não o desenvolvimento integral da pessoa e da sociedade.

Quando a sociedade não é ouvida ela se faz ouvir. No caso da MP 746/16, os estudantes reclamaram seu protagonismo. Os professores, já penalizados por baixos salários, também foram ignorados. Estes são sinais claros da surdez social das instâncias competentes.

Conclamamos a sociedade, particularmente os estudantes e suas famílias, a não se deixar vencer pelo clima de apatia e resignação. É fundamental a participação popular pacífica na busca de soluções, sempre respeitando a pessoa e o patrimônio público. A falta de criticidade com relação a essa questão trará sérias consequências para a vida democrática da sociedade.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, interceda por nós.

Brasília, 23 de novembro de 2016.

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Presidente em Exercicio da CNBB

Dom Guilherme A. Werlang, MSF
Bispo de Ipamerí
Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade da Justiça e da Paz

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

A alegria de amar na família e a riqueza do sacramento do matrimônio cristão

Neste ano tive a grande alegria de contribuir com a  Revista da Festividade de São Martinho de Lima 2016, refletindo sobre a riqueza do sacramento do matrimônio. Eis o texto:

Celebrar a festa de São Martinho de Lima com o foco na alegria do amor esponsal é um convite a todas as famílias, especialmente aos casais de namorados, noivos e esposos, a refletir sobre a qualidade do amor que vivenciam e procuram. As famílias católicas podem descobrir o prazer de “ser feliz ao fazer o outro feliz”; a alegria e a paz nascidas do empenho da própria vida na realização da vida de quem amamos.

Quando são Paulo fala do matrimônio cristão, compara-o simbolicamente à entrega total de Cristo na cruz por sua amada esposa, a Igreja: “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo também amou a Igreja e se entregou por ela” (cf. Ef 5,25). O convite também se dirige às mulheres e, do casal, como sacramento, se estende a todos os membros da família. Em uma família cristã todos devem doar-se totalmente como Cristo doou-se sem reservas pela Igreja até verter água e sangue de seu lado aberto. “Grande é este mistério (sacramento)” exclamou São Paulo (cf. Ef 5,32). Reconhecer essa “qualidade de amor”, levou a Igreja a celebrar o matrimônio cristão como “sacramento”, isto é, entre os sete sinais da presença salvífica e santificadora de Cristo na Igreja e no mundo. Essa deve ser a verdadeira motivação para os casais casarem-se na Igreja. A celebração do sacramento do matrimônio não é apenas uma bênção, mas o desejo e o compromisso do casal de aumentar seu amor, não em quantidade, mas em qualidade: o amor de Cristo.

Mas como podemos falar concretamente do amor de Cristo como modelo e fonte do amor na família? Na cruz o amor do Pai se revela completamente: no Filho crucificado, Deus revela que amar é dar a vida por quem amamos (cf. Jo 15,13; 1Jo 3,16). A vida é bem vivida, quando faz sentido dá-la para outras pessoas. É o amor que dá sentido ao cansaço do trabalho, à manutenção da casa, ao socorro das fragilidades físicas e espirituais dos membros da família e à paciência na convivência com os limites e desafios pessoais de cada um.

Assim, Cristo Crucificado é o horizonte onde o amor do casal e da família pode se desenvolver plenamente. O amor de Jesus é total e fiel, Ele não guarda nada para si, não está condicionado a nada, não tenta se proteger diante da possibilidade de algo dar errado, se realiza em se entregar por inteiro. O amor de Jesus é livre, ninguém pode obrigá-lo ou coagí-lo a amar, e por isso é profundamente pessoal. O amor de Jesus é constante e exige a coerência de uma vida toda a Ele dedicada para se expressar. O amor de Jesus é fecundo, aberto a acolher na família da Igreja todos os filhos que o Pai chamar. O amor de Jesus é unitivo, pois tem seu foco e prazer na comunhão, na amizade e na celebração da convivência eterna. O amor de Jesus é misericordioso, pois cria o espaço necessário para que até os erros sejam superados e curados.

Sem essas características qualquer relacionamento humano pode ficar infantil e se esvaziar. Reconhecer a grandeza do mistério do amor de Cristo (cf. Ef 5,32) nos ajuda a reconhecer a fragilidade do nosso “amar” e a superar as tentações de auto-proteção, da auto compensação, da liberdade garantida no descompromisso ou das múltiplas alternativas caso o projeto dê errado; da ameaça do abandono; da dominação, da posse e do controle, da superficialidade da auto-realização nos bens, na beleza, no conforto, na segurança;  do fechamento aos outros, às novas vidas, à família, aos vizinhos, à comunidade humana e, finalmente,  da indiferença causada pela intensa rotina que impede o convívio dentro de casa.

Para crescer em qualidade no amor, precisamos nos voltar para sua fonte: Jesus! E Nele amadurecer e expandir nosso amor frágil no horizonte do amor divino. Esse projeto de Deus para a vida familiar não pode ser um monólogo, no qual todo o esforço parte apenas de uma pessoa, mas um diálogo no qual todos devem ter os olhos fixos em Jesus, nele receber o amor “fontal” de Deus e entrar no mesmo movimento das pessoas que Dele tudo recebem e Nele tudo doam.

Ao pensar no casal como célula matriz da família, São Paulo não exclui a realidade das famílias concretas, ou seja, daquelas que sofreram a perda de um membro, o abandono, a separação. O livro de Rute é um exemplo consolador da aliança entre sogra (Noemi) e nora (Rute) que diante do trauma da morte superam a dificuldade e, unidas, dão continuidade à história da família. É à nossa família concreta que somos chamados a valorizar, assumir e ajudar a inserir-se com convicção nesse horizonte maior do amor de Cristo. São Martinho, que soube amar e assumir sua família, em um quadro social complicado nos ajude a orientar as famílias de nossa paróquia para a verdadeira saúde e alegria do amor cristão!

Davi Alves Maçaneiro

MAÇANEIRO, Davi Alves. A alegria de amar na família e a riqueza do sacramento do matrimônio cristão. In: Revista da Festividade de São Martinho de Lima, 03-11 de dezembro de 2016. Óbidos, 2016, p. 7.

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I Assembleia Diocesana de Óbidos.

05-06/11/2016 – I Assembleia Diocesana.

Maravilhosa a I Assembléia da Diocese de Óbidos. Primeira como diocese, ponto de partidade de uma nova etapa missionária e pastoral. Mas ponto de chegada de uma caminhada de 60 anos, com assembléias colegiais, com diálogo aberto e comprometido entre bispo, clero, religiosos e leigos. Momentos leves de confraternização e e brincadeiras. Momentos profundos de celebração da Eucaristia, louvor, oração, oficio divino. Momentos tensos de debate que a importância pastoral justifica: as pessoas não estão brincando de ser Igreja.